quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como está o seu Círculo de Intimidade?

O exemplo de um círculo de intimidade 
Cláudia apresentou-se na sessão muito preocupada com a sua vida. «Há alguma coisa que... não sei, não me deixa seguir, me bloqueia. Tenho projectos, tenho habilitações, começo a planear, mas logo depois... Nada. É estranho porque tenho muitos amigos, tenho família, tenho muitas pessoas conhecidas, dou-me bem com os meus colegas de trabalho. Não há razão para me sentir assim...»

Há uma razão subtil, quase que invisível. É que no círculo de intimidade de Cláudia estavam presentes pessoas que simplesmente deveriam estar fora dele. A presença dessas pessoas bloqueavam todos os processos de Cláudia. Auto-estima, comunicação, projectos, bem-estar, capacidade de decisão... 

Abra os seus braços e imagine uma circunferência à sua volta. 
Esse é o seu Círculo de Intimidade

Assim que reorganizou o seu círculo, Cláudia passou a sentir mais independência e os assuntos começaram a fluir mais rapidamente. Estabelecer a que distância deve estar cada pessoa é um trabalho que começa na mente. 

Estranho? Pense um pouco. A importância ou valor que atribui a cada pessoa começa na sua mente e assim que decidir a que distância, na sua mente, essa pessoa deve estar de si, a relação que tem com ela altera-se sem que a pessoa note conscientemente. 

Experimente: Feche os olhos e chame 4 pessoas da sua vivência. Anote de onde elas surgem mentalmente e a que distância se encontram. Estão dentro ou fora do seu círculo de intimidade? Sente-se confortável com a posição ocupada por essas pessoas?

Duas dicas
- Se surgiram em posição frontal podem ser obstáculo e assumem grande importância. 
- Se surgiram atrás de si podem ser ameaça ou apoio? Como sente?
- Se estão junto a si, provavelmente são muito importantes, como pais, filhos, esposos ou esposas. Mas se não forem pessoas com esse grau de parentesco, então algo pode estar a influenciar a sua vida. 

Em todo o caso, é na sua mente que tudo se passa. E depois esse tudo manifesta-se em termos físicos e factuais. Ao alterar a posição, altera também a sua comunicação relação interpessoal.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Viagem ao Interior do Tudo...


Depois de um dia mundano e agitado, todo o sistema se move para a experiência extraordinária prestes a iniciar-se. Os órgãos preparam-se, predispondo-se para o que se segue.
O corpo ajeita-se, toma o seu lugar, acomoda-se, enquanto se traz à consciência os pormenores subtis das articulações arrumando-se. A luz apaga-se, uma sonoridade tranquila, levemente soprada, revela o início.

Uma voz grave indica pausadamente a sequência de passos. Mentalmente, a viagem começa, mas o destino é desconhecido. Ou, por outra, o destino é a viagem sem ponto de chegada. É esse o propósito. Mente e corpo embalam numa sequência de sensações, contracções e movimentos alternados e a paisagem dos sentidos alarga-se. Cada viajante entrega-se à sua própria maneira e dá-se conta do que se passa no seu mundo interior, alheando-se da envolvente.

A cadência respiratória abranda, o som interno silencioso facilita o mergulho, os movimentos unem-se com a neurologia. Os corpos movimentam-se num mesmo espaço, mas a viagem de cada um deles é diferente, mesmo sabendo que a geografia humana é comum.

Apura-se o foco e dá-se conta da presença dos dedos, das mãos, dos braços. Num momento seguinte nota-se a presença das pernas e dos pés. Num outro verificam-se ombros, pescoço e cabeça. Logo de seguida o peito subindo e descendo, tal como o abdómen, ao ritmo da respiração. Anota-se a vida pulsando. Pouco a pouco, a viagem desafia o equilíbrio, a concentração e a determinação. A ligação entre inconsciente e consciente cria como que um campo uniforme e comum dos indivíduos presentes.

A viagem está a meio quando mente e corpo se ligam num só, conscientes da sua unidade. Preparam-se para o ponto de viragem em direcção ao Tudo. O corpo derrama-se no solo, o tráfego mental é sereno. O olhos fecham-se e cada indivíduo sente imergir o Tudo.
Cada viajante sente o profundo silêncio interior por detrás do novo som metálico contínuo. E fica consciente do movimento interno de realidades celestiais ao ritmo das rotações audíveis. É o ponto nuclear da viagem, o momento em que se passa pelo interior do tudo, permanecendo aí num longo e cândido momento. A sensação de que duas dimensões estão ligadas, uma material e sensitiva, outra espiritual e energética...

Momentos passam, momentos que representam lapsos temporais diferentes. O universo em toda a sua existência para o viajante. Voltemos. sim, regressemos ao «espaço ocupado pelo corpo» é a indicação que chega. Cumpre-se, o consciente activa-se, a mente vai despertando...

A pouco e pouco, mente e corpo ensaiam o regresso ao estado inicial, agora em slow motion. Os viajantes acordam, movem-se, espreguiçam-se, oxigenam e sussurram em coro: namaste

Sim, a sessão de ioga com relaxamento está concluída. Cada viajante, cada indivíduo, cada participante, despede-se dos seus semelhantes e retorna ao ritmo cultural e socialmente instalado. Voltará, por certo, para repetir a viagem ao interior do Tudo, com a pura certeza que será diferente...

Obrigado Inês Zorro

domingo, 31 de julho de 2016

O Recipiente e o Conteúdo...

O conteúdo é a essência da identidade

Imagine que lhe oferecem estes dados sobre três candidatos para liderar o país ou até a Europa. Faça a sua escolha.

·         Candidato A associa-se com políticos desonestos e consulta astrólogos. Teve duas amantes, fuma cigarro atrás de cigarro e bebe em média dez martinis por dia.

·         Candidato B foi expulso da escola duas vezes, antes de se ter formado consumia ópio, dorme agora até ao meio-dia e bebe cerca de um litro de uísque todas as tardes.

·         Candidato C é um herói condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe cerveja apenas ocasionalmente e não tem qualquer relação extramarital.
  
Por qual dos candidatos optaria? Faça a sua escolha antes de consultar o verdadeiro conteúdo.

Parabéns por ter feito a sua opção de acordo com os dados que lhe foram mostrados. Muitas vezes temos de tomar decisões difíceis com pouca informação disponível. Atente que será sempre de extrema valia procurar o conteúdo, não se deixando iludir pelo recipiente, que pode ser estético, belo, adequado e muito atractivo. Admita que o recipiente não define o conteúdo. 
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Candidato A – Franklin Roosevelt 
Candidato B – Winston Churchill / Candidato C – Adolf Hitler

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coaching e Não-Coaching


Mais do que uma actividade, o Coaching é uma arte

Definições há a gosto, basta procurar na internet. Se quer perceber exactamente o que é coaching, leia as duas frases seguintes:

1 – Fazer com que os outros façam aquilo que desejam e sonham, a partir da sua própria experiência

2 – Fazer com que os outros façam o que pretendo e desejo, de acordo com o meu interesse e a minha própria experiência

Em qual dos dois conceitos está contido o coaching? Provavelmente acertará mencionando o primeiro. E porque é que a maior parte das actividades humanas se baseiam no segundo conceito? Porque provavelmente estamos rotinados em apenas considerar o que queremos e não o que é querido pelos outros.

Ficamos preenchidos quando é a nossa ideia que prevalece, quando é feita a nossa vontade, quando os outros fazem o que esperamos deles. 

E é precisamente por este factor que o Coaching é uma actividade diferente e, de alguma forma não é para todos. Não por não terem capacidades, mas por não terem vontade de ter essas capacidades. Que é a de estar ao serviço do outro, em aceitação. O que implica alguns atributos especiais:

Fazer perguntas - Manter expressão facial neutra - Sempre considerar os semelhantes adequados - Aceitar o modelo do mundo da outra pessoa 
- Ter a certeza de que o outro tem os recursos necessários

O que implica também:
Ausência de juízos de valor - Não julgar - Não sugerir 
- Não opinar - Não criticar 

O Coaching trabalha do presente para o futuro, com a experiência do cliente, e este assume a responsabilidade do seu processo. Lembre-se que o coaching, mais do que uma actividade, é uma arte.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Trabalhar o Objectivo é Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo...

Trabalhar as emoções ligadas ao objectivo é fulcral...

O Paulo tinha um objectivo muito concreto e, como era algo importante para ele, tratou de colocar tudo no papel. O quê, datas e passos a dar. Visualizou o que queria e como queria. Criou uma imagem bem atractiva do seu objectivo, da sua ambição. Bem nítida, bem detalhada, bem vívida. 

O Paulo criou a ideia, tomou a decisão e passou à acção. Estava determinado. Bastava percorrer agora o caminho, cumprir os passos e chegar ao que queria, vitorioso.

No seu percurso, o Paulo deu-se conta da quantidade de objecções ao seu projecto. Umas surgiam do contexto, do exterior. Outras, mais fortes, vinham de dentro de si. Enfim, materializavam-se na desmotivação, na dúvida, na hesitação. A descrença começou a crescer e o Paulo abrandou. 

A imagem que havia criado não correspondia ao que estava a atravessar. A visualização final afigurava-se incongruente com a viagem. E assim do abrandamento passou à distracção, da distracção passou à desistência e aí instalou-se aquela sensação de frustração. «Deixa, possivelmente não era para mim...», encerrou assim o processo.
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Ao mesmo tempo que trabalha objectivos, sinta antecipadamente as emoções ligadas a todo o processo. Não só as que estão ligadas à meta final. Passo a passo, veja, ouça e sobretudo sinta as emoções ligadas a cada passo do caminho. 

Chama-se a isto Trabalhar o Objectivo e Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo. Porque objecções, obstáculos e dificuldades sempre haverá. E a cada passo estão lá emoções. Umas gratificantes outras talvez não tão agradáveis, porém importantes. Ao não estar preparado para viver essas emoções, não estará preparado também para seguir em frente...

terça-feira, 19 de julho de 2016

O mito do «controlo emocional»

Não «reprima» emoções, reconheça-as e aprenda com elas...
Uma das maiores bandeiras dos cursos de liderança é que «o líder tem controlo sobre as suas emoções». E depois discorre-se sobre a qualidade de «gerir emoções». Não tenho dúvida de que é sempre impactante dizer este tipo de coisas. Porém, temos um problema, que é grave:

Se controla as suas emoções isso é o mesmo que dizer que as reprime. Se o faz muitas vezes e continuadamente, a breve trecho irá sofrer de ansiedade, depressão, podendo passar a ser um dia um caso de psiquiatria.

As emoções são informações que recebemos das nossas profundezas. Tal qual os sentidos da visão, da audição ou do tacto nos fornecem dados sobre o que sucede à nossa volta, também as emoções nos dão indicações sobre o que se passa. A intensidade das emoções (mais fortes ou mais ténues) dizem sobre o quão importante para nós é o que está a suceder num determinado momento. Deve, pois, reconhecer cada uma das sua emoções e debruçar-se sobre o que elas representam. Se ignora, reprimindo-as, fica algo por resolver ou uma aprendizagem em atraso, por fazer... Que ficará sempre em stand-by, até se decidir a fazer o seguinte: deixar a emoção partir retirando dela a aprendizagem contida. 

Abrace a sua emoção e retire dela a aprendizagem...
Se ainda duvida, imagine o que seria «controlar» a visão. Estar a ver um quadro verde à sua frente e a dizer a si mesmo/a que controla o que está a ver... Ou tentar convencer-se de que está a controlar o que ouve. Pois... Com as emoções é o mesmo. Não se controlam.

O que pode fazer, em última análise, é ignorar (reprimir) por um momento a emoção que está a ter para sobreviver a uma situação social, por hipótese (temporariamente). Agora se isso é um hábito continuado, vai confrontar-se com a chamada neurose, que, simplificando, configura uma dificuldade em lidar com emoções.

(A prática do mindfulness ou do ioga facilita o processo de ligação com emoções, afectos e sentimentos)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Humildade «embaça» França


França teve toda a expectativa, Portugal teve toda a humildade. França teve a certeza, Portugal teve a possibilidade. França teve o truque, Portugal teve a solução. No fim, as expectativas morreram às mãos da humildade, as certezas faleceram face às possibilidades e os truques pereceram perante as soluções...

As expectativas são tramadas. São verdades que se instalam antes de serem verdades. Saem furadas... E depois deixam aquele sabor amargo que os franceses não conseguem dissipar. Nem as mais altas instâncias conseguiram desta vez engolir, mesmo capacitadas a fazer os maiores golpes de rins, treinadas a engolir grandes e gordos sapos... Foi de mais para a sua capacidade.

A EXPECTATIVA foi tanta que embaciou a mente, a diplomacia e todo o sentido ético gaulês. A HUMILDADE apresentou-se indigesta e embaçou os franceses.

A vitória da HUMILDADE é uma das grandes lições do Europeu. Não propriamente de futebol, mas sim de vida. A vitória do foco de uma equipa, de um líder e de um capitão sobre os arremessos dos especialistas das certezas.

Uma grande vitória da elegância, da humildade, da paciência, do foco e da boa-educação.

Obrigado por tão bela e completa lição de vida