domingo, 31 de julho de 2016

O Recipiente e o Conteúdo...

O conteúdo é a essência da identidade

Imagine que lhe oferecem estes dados sobre três candidatos para liderar o país ou até a Europa. Faça a sua escolha.

·         Candidato A associa-se com políticos desonestos e consulta astrólogos. Teve duas amantes, fuma cigarro atrás de cigarro e bebe em média dez martinis por dia.

·         Candidato B foi expulso da escola duas vezes, antes de se ter formado consumia ópio, dorme agora até ao meio-dia e bebe cerca de um litro de uísque todas as tardes.

·         Candidato C é um herói condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe cerveja apenas ocasionalmente e não tem qualquer relação extramarital.
  
Por qual dos candidatos optaria? Faça a sua escolha antes de consultar o verdadeiro conteúdo.

Parabéns por ter feito a sua opção de acordo com os dados que lhe foram mostrados. Muitas vezes temos de tomar decisões difíceis com pouca informação disponível. Atente que será sempre de extrema valia procurar o conteúdo, não se deixando iludir pelo recipiente, que pode ser estético, belo, adequado e muito atractivo. Admita que o recipiente não define o conteúdo. 
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Candidato A – Franklin Roosevelt 
Candidato B – Winston Churchill / Candidato C – Adolf Hitler

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coaching e Não-Coaching


Mais do que uma actividade, o Coaching é uma arte

Definições há a gosto, basta procurar na internet. Se quer perceber exactamente o que é coaching, leia as duas frases seguintes:

1 – Fazer com que os outros façam aquilo que desejam e sonham, a partir da sua própria experiência

2 – Fazer com que os outros façam o que pretendo e desejo, de acordo com o meu interesse e a minha própria experiência

Em qual dos dois conceitos está contido o coaching? Provavelmente acertará mencionando o primeiro. E porque é que a maior parte das actividades humanas se baseiam no segundo conceito? Porque provavelmente estamos rotinados em apenas considerar o que queremos e não o que é querido pelos outros.

Ficamos preenchidos quando é a nossa ideia que prevalece, quando é feita a nossa vontade, quando os outros fazem o que esperamos deles. 

E é precisamente por este factor que o Coaching é uma actividade diferente e, de alguma forma não é para todos. Não por não terem capacidades, mas por não terem vontade de ter essas capacidades. Que é a de estar ao serviço do outro, em aceitação. O que implica alguns atributos especiais:

Fazer perguntas - Manter expressão facial neutra - Sempre considerar os semelhantes adequados - Aceitar o modelo do mundo da outra pessoa 
- Ter a certeza de que o outro tem os recursos necessários

O que implica também:
Ausência de juízos de valor - Não julgar - Não sugerir 
- Não opinar - Não criticar 

O Coaching trabalha do presente para o futuro, com a experiência do cliente, e este assume a responsabilidade do seu processo. Lembre-se que o coaching, mais do que uma actividade, é uma arte.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Trabalhar o Objectivo é Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo...

Trabalhar as emoções ligadas ao objectivo é fulcral...

O Paulo tinha um objectivo muito concreto e, como era algo importante para ele, tratou de colocar tudo no papel. O quê, datas e passos a dar. Visualizou o que queria e como queria. Criou uma imagem bem atractiva do seu objectivo, da sua ambição. Bem nítida, bem detalhada, bem vívida. 

O Paulo criou a ideia, tomou a decisão e passou à acção. Estava determinado. Bastava percorrer agora o caminho, cumprir os passos e chegar ao que queria, vitorioso.

No seu percurso, o Paulo deu-se conta da quantidade de objecções ao seu projecto. Umas surgiam do contexto, do exterior. Outras, mais fortes, vinham de dentro de si. Enfim, materializavam-se na desmotivação, na dúvida, na hesitação. A descrença começou a crescer e o Paulo abrandou. 

A imagem que havia criado não correspondia ao que estava a atravessar. A visualização final afigurava-se incongruente com a viagem. E assim do abrandamento passou à distracção, da distracção passou à desistência e aí instalou-se aquela sensação de frustração. «Deixa, possivelmente não era para mim...», encerrou assim o processo.
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Ao mesmo tempo que trabalha objectivos, sinta antecipadamente as emoções ligadas a todo o processo. Não só as que estão ligadas à meta final. Passo a passo, veja, ouça e sobretudo sinta as emoções ligadas a cada passo do caminho. 

Chama-se a isto Trabalhar o Objectivo e Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo. Porque objecções, obstáculos e dificuldades sempre haverá. E a cada passo estão lá emoções. Umas gratificantes outras talvez não tão agradáveis, porém importantes. Ao não estar preparado para viver essas emoções, não estará preparado também para seguir em frente...

terça-feira, 19 de julho de 2016

O mito do «controlo emocional»

Não «reprima» emoções, reconheça-as e aprenda com elas...
Uma das maiores bandeiras dos cursos de liderança é que «o líder tem controlo sobre as suas emoções». E depois discorre-se sobre a qualidade de «gerir emoções». Não tenho dúvida de que é sempre impactante dizer este tipo de coisas. Porém, temos um problema, que é grave:

Se controla as suas emoções isso é o mesmo que dizer que as reprime. Se o faz muitas vezes e continuadamente, a breve trecho irá sofrer de ansiedade, depressão, podendo passar a ser um dia um caso de psiquiatria.

As emoções são informações que recebemos das nossas profundezas. Tal qual os sentidos da visão, da audição ou do tacto nos fornecem dados sobre o que sucede à nossa volta, também as emoções nos dão indicações sobre o que se passa. A intensidade das emoções (mais fortes ou mais ténues) dizem sobre o quão importante para nós é o que está a suceder num determinado momento. Deve, pois, reconhecer cada uma das sua emoções e debruçar-se sobre o que elas representam. Se ignora, reprimindo-as, fica algo por resolver ou uma aprendizagem em atraso, por fazer... Que ficará sempre em stand-by, até se decidir a fazer o seguinte: deixar a emoção partir retirando dela a aprendizagem contida. 

Abrace a sua emoção e retire dela a aprendizagem...
Se ainda duvida, imagine o que seria «controlar» a visão. Estar a ver um quadro verde à sua frente e a dizer a si mesmo/a que controla o que está a ver... Ou tentar convencer-se de que está a controlar o que ouve. Pois... Com as emoções é o mesmo. Não se controlam.

O que pode fazer, em última análise, é ignorar (reprimir) por um momento a emoção que está a ter para sobreviver a uma situação social, por hipótese (temporariamente). Agora se isso é um hábito continuado, vai confrontar-se com a chamada neurose, que, simplificando, configura uma dificuldade em lidar com emoções.

(A prática do mindfulness ou do ioga facilita o processo de ligação com emoções, afectos e sentimentos)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Humildade «embaça» França


França teve toda a expectativa, Portugal teve toda a humildade. França teve a certeza, Portugal teve a possibilidade. França teve o truque, Portugal teve a solução. No fim, as expectativas morreram às mãos da humildade, as certezas faleceram face às possibilidades e os truques pereceram perante as soluções...

As expectativas são tramadas. São verdades que se instalam antes de serem verdades. Saem furadas... E depois deixam aquele sabor amargo que os franceses não conseguem dissipar. Nem as mais altas instâncias conseguiram desta vez engolir, mesmo capacitadas a fazer os maiores golpes de rins, treinadas a engolir grandes e gordos sapos... Foi de mais para a sua capacidade.

A EXPECTATIVA foi tanta que embaciou a mente, a diplomacia e todo o sentido ético gaulês. A HUMILDADE apresentou-se indigesta e embaçou os franceses.

A vitória da HUMILDADE é uma das grandes lições do Europeu. Não propriamente de futebol, mas sim de vida. A vitória do foco de uma equipa, de um líder e de um capitão sobre os arremessos dos especialistas das certezas.

Uma grande vitória da elegância, da humildade, da paciência, do foco e da boa-educação.

Obrigado por tão bela e completa lição de vida

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O Inabalável Poder da Aceitação


O momento foi marcante. Depois daquela pergunta, «Mas o que é que eu hei-de fazer?...», a resposta surgiu automática, «Aceita o que está a acontecer. Liberta-te e encontrarás caminhos...»

E o monge continuou sussurrando, como se de um mantra se tratasse:

«O caminho da liberdade e do bem-estar pleno está inscrito no mapa da Aceitação. Lidera o teu estado de espírito reconhecendo o que se passa, o que acontece e aceitando que assim é. Ganharás a consciência de que o facto é o acontecimento e aceitando-o terás o caminho aberto e todas as escolhas à tua disposição para continuar... Com o conhecimento e a experiência que te foram oferecidas. Se não aceitares, não aprendes. Se aceitares poderás considerar-te sábio. A luta e o debate, sejam físicos ou mentais, desperdiçam a fonte energética, física e mental.

A aceitação tem o poder inabalável de construir o que vai ser, reconhecendo como aprendizagem aquilo que foi. Não se debate com O que devia ter sido, Podia ter acontecido ou o Se tivesse sido de outra forma... Ela é inabalável pela sua serenidade e respeito pelo que sucedeu.»

E a partir daquele momento o caminhante iniciou a sua experiência de Aceitação. A serenidade visitou-o para ficar e a criatividade, a alegria e a confiança acompanharam-na. O poder inabalável da aceitação é a maior das qualidades humanas... 
E o caminhante fez o seu progresso, olhando em frente e confiando no que é e no que vai ser, com a certeza de que as escolhas estão sempre em aberto. Tornou-se inabalável.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Fonte Inesgotável do Amor


No ponto mais profundo de ti há uma fonte inesgotável de amor disponível para te guiar. Dá-lhe atenção, olha para dentro e identifica essa energia.

Ele sentia um vazio interior, mas acreditou sempre que a sua fonte de amor estava activa e mais dia menos dia iria guiá-lo. Ela sentia um vazio interior e acreditava que a sua fonte estava inactiva e nada mais haveria a fazer.
E um dia aconteceu um milagre. Foram vários milagres que geraram o último dos milagres, a manifestação do amor que um e outro ainda sentiam. Ele tinha sempre acreditado, ela nem tanto, mas ali estavam agora acedendo, os dois, à fonte inesgotável de amor disponível.

Sem dizer nada um ao outro, deixaram os acontecimentos correr ao sabor do tempo e das circunstâncias. Sem juízos de valor, sem julgamentos, sem lutas ou debates. À medida que conversavam, davam-se conta da sua fonte. As emoções, os sentimentos, as sensações. Desfrutavam em silêncio e tranquilamente das expressões, dos sorrisos, dos gestos, dos suspiros.

Observavam-se, ouviam as suas palavras e desfrutavam das sensações que os sentidos lhes proporcionavam. Viajavam um no outro e um com o outro, num acto particular e muito íntimo, apesar de estarem num lugar público, um restaurante prenhe de gente faladora.

Nada lhes tirou a concentração que mantinham, porque se alimentavam um do outro para «escutar» as suas próprias sensações mais subtis.
Sem se aperceberem, tinham acedido à fonte inesgotável de amor disponível e ali se decidiram a navegar.

Ao concluírem a refeição, os seus sentidos preenchidos e em alerta estavam agora inebriados com a própria presença física. A fonte de amor dava-lhes uma tranquilidade e uma paz e assim os seus olhos manifestavam ternura e fascínio mostrando um brilho exuberante.

Navegando na sua fonte inesgotável de amor, assim se abraçaram desfrutando do calor que trocavam. O amor de cada um fundia-se agora num só e aí sim, deram-se conta que aquele milagre fora precedido de outros tantos... Seguiram assim abraçados e navegando na fonte inesgotável de amor e cura.

Os milagres acontecem numa sucessão de eventos, encadeados no tempo, tal qual um colar de pérolas. Sobretudo ama-te. Sê paciente. Os milagres estão sempre presentes.