terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Más Vibrações ou Maçãs Podres


Sara afirmou-se uma pessoa sem sorte na vida. Invadia-a um estado de cansaço frequente que a esgotava. Tinha emprego, tinha projectos, tinha amigos e vida social. Nada conseguia desfrutar e os projectos pareciam como que encalhados. 

Convidei-a a reflectir sobre a qualidade da sua vida social. Fez uma careta, encolheu os ombros dizendo: 

- Saio muito e conheço muita gente...
- E?...
- Bom, não sei

No decorrer da sessão, Sara descobriu que conhecia muita gente e muita gente da gente que conhecia queimava-lhe a sua vibração criativa e empreendedora.

Falámos da fruteira e das maçãs. Não é conhecido que uma maçã podre tivesse ficado sã na companhia das sãs. Não é conhecido também que as maçãs sãs, na companhia das maçãs podres, tivessem permanecido sãs. 
A maçã podre apodrece as outras e por isso tem de ser logo removida da fruteira antes de parecer completamente podre. 
A maçã podre consegue criar o seu império pela complacência. Ao seu redor todas as maçãs sãs definharão até ficarem viçosamente podres. 

Ora Sara concluiu que teria de ser mais discreta quanto à divulgação dos seus projectos como também seleccionar a «gente» que conhecia. Compreendera o poder das vibrações. É que há gente com vibração diferente, compatível com outra gente.

Em apenas dois meses, Sara sentiu os resultados dos ajustamentos que fez. Até aí subestimara o poder da influência. Vibração alta, na mesma onda de possibilidade e realização e não vibração baixa da limitação e da impossibilidade.

Seleccione ambientes e pessoas com a sua vibração 

sábado, 5 de novembro de 2016

Melhor dos piores ou melhor dos melhores


Imagine-se a dividir as pessoas em três tipos: os que querem ser os melhores dos melhores; os que querem ser os melhores dos piores; os que tanto se lhes dá como se lhes deu

1 - as que querem sempre ser melhores do que elas próprias, fazendo de tudo para acrescentar um pouco mais ao que eram anteriormente. As que lêem, treinam, procuram outras que lhes possam ensinar algo, promovem conversas construtivas, são observadoras e curiosas e prontificam-se a ajudar mesmo os que consideram ter mais conhecimento. 

Comparam o desempenho que têm com o seu próprio desempenho anteriormente, num jogo de «quem sou em relação ao que era há pouco e quem quero ser amanhã». Exibem uma atitude de humildade e têm um forte amor-próprio. Desejam sobretudo ver sucesso à sua volta para fazerem parte desse campo energético. Orientam-se pelo mérito próprio e detestam a ideia de tirar crédito dos outros, pelo que estão muito focados no seu processo pessoal.

2 - as que tanto se lhes dá como se lhes deu. Não se interessam e procuram apenas fazer o que tem de ser feito no momento. Procuram essencialmente distrair-se, conviver, descontrair e procuram ajuda imediata para resolver questões imediatas. Ser melhor do que elas próprias ou melhor do que outros não está na equação. Dão-se com todos e querem apenas estar «descansadas».

3 - as que procuram ser melhores à custa das falhas dos outros. Apostam sobretudo no boicote, na crítica, no mexerico. Sofrem com o sucesso alheio, são invejosas e ciumentas e tudo fazem para o insucesso dos outros, dedicando-se muito a ajudar os que caem na sua teia de desejos destrutivos. 

Ajudam de forma a que o outro precise sempre de ser amparado. Ajudam-no a ficar dependente da sua ajuda. Perguntam-se amiúde o que podem fazer para que alguém não chegue onde quer. Caracteriza-os um sentimento de vaidade, a mascarar uma baixa auto-estima e um fraco amor-próprio. Procuram sempre tirar o crédito alheio como forma de diminuírem o outro e relevarem-se pelo que não fizeram.
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Das três apenas uma é a porta aberta. As restantes duas são portas fechadas. Faça a escolha, reflicta sobre os três estádios e identifique sinceramente onde se situa.


O que lhe faz lembrar em si cada uma das três descrições. Qual a melhor descrição de si?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A surdez autoritária...


Paulo chegou à sessão a queixar-se da incapacidade da equipa em tornar-se produtiva. Que era sempre ele a dizer tudo, que os outros ficavam calados como se estivessem muito atentos, mas depois não faziam o que lhes pedia.
Paulo pedia soluções para lidar com a situação e sobretudo como pôr a equipa a trabalhar. Afinal de contas, ele era o líder e estava cansado de ter de dizer tudo e ainda por cima a arcar com as «culpas».
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AUTORIDADE está para a EMISSÃO 
como a SUBALTERNIDADE está para a RECEPÇÃO
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Só no terceiro encontro Paulo descobriu que ele próprio tinha o seu aparelho receptor como que avariado, enquanto o emissor tinha funcionamento permanente. 

Ora a capacidade de comunicar está dependente de duas funções básicas: emissão e recepção. O indivíduo que coloca estas duas funções em funcionamento será líder. O problema surge quando alguém quer ser líder e automaticamente desliga a função de recepção, ficando apenas deslumbrado com a emissão de mensagens.

Paulo percebeu então que, em vez de líder, era um indivíduo autoritário, por isso mesmo com a função emissora desenvolvida e a receptora sucessivamente... surda. 

Paulo também descobrira que não tinha propriamente uma equipa, tinha sim um conjunto de seguidores, assumidamente subalternos, que aceitaram desenvolver a função receptora e calar em definitivo a emissora. Utilizavam esta apenas para proferir vocábulos básicos de aceitação.
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Sendo emissão e recepção funções de comunicação, só com as duas poderá haver processamento de informação e, por conseguinte, troca de conteúdo. Por recepção entende-se a competência de processar a mensagem do outro na sua amplitude total, por forma a devolver algo no interesse das partes.

Paulo então prometeu a si mesmo trabalhar na função de recepção e traçou desde logo um plano de acção que passava por diminuir a actividade emissora e por isso mesmo calar mais a sua boca. Só assim poderia trabalhar as competências de líder.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Liderança e Hierarquia


Liderança é uma palavra fustigada por uma mistura de conceitos contraditórios associados a hierarquia. Pois bem, aqui vai esta reflexão sobre hierarquia e liderança:

HIERARQUIA
1 - Há alguém que manda e paga ao mandado, que aceita ser mandado a troco de dinheiro ou recompensa. Sendo que vê nisso e tira disso alguma vantagem ou proveito.

2 - Alguém que exerce um poder coercivo sobre o outro, tornando-o mandado, a troco de nada ou de um valor irrisório. O mandado aceita ser mandado (ou escravizado) contra-vontade, como estratégia de sobrevivência, com a esperança de que algo mude para melhor no futuro.

Em ambas as situações, a hierarquia chama a si statu e posição que lhe dão poderes e a ideia de coerção.

LIDERANÇA
A liderança não é dependente da hierarquia, podendo estar porém contida num sistema hierárquico (daí a confusão).

O líder não manda, não dá ordens, não exerce coerção, não usa artifícios sociais e variações de humor (retaliação, tornar pessoas invisíveis, birra, etc.) para que outros façam o que pretende. Pelo contrário...

O líder é. Ponto. A sua envolvente humana é formada por aqueles que o admiram e que, por vontade própria, permanecem perto. Sabendo que, se um dia não quiserem estar a seu lado, têm a liberdade para partir, livres e leves, não sendo alvos de arremessos ou ressentimento.

Aqui há também statu e posição, só que reconhecidos pelos outros, dissociados da figura de coerção.

EM RESUMO
Enquanto a liderança está focada na Missão, o sistema hierárquico está focado nele próprio, por isso na Obediência dos outros. Quando a obediência não existe, esvazia-se o sistema hierárquico, seus níveis e mecanismos. 
Neste sistema, todos os níveis hierárquicos necessitam de validação dos outros, pelo que, quando não a têm, exercem coerção para a ter. O formato é o COMANDO e a certeza adquirida.

Já quando o líder não dispõe da envolvente humana, muitas vezes apelidada de seguidores, a missão não termina, pelo contrário.
Liderança não são artifícios de linguagem (nós, vamos, todos, etc.). É, isso sim, atitude permanente e a ausência total de necessidade de aprovação exterior. O formato é a PERGUNTA e a procura de possibilidades.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

«Não me perguntam se amo ou se estou feliz...»


O caminhante sorridente parou para beber um gole de água. E logo uma mulher lhe perguntou «como consegue estar tão feliz e descontraído, dentro dessas roupas mal-amanhadas e perante este mundo de pessoas que o desdenham? Como é que ganha a vida, afinal?»

O caminhante, imperturbável e mantendo o sorriso nos lábios, respondeu: «Pergunta-me o que faço e o que ganho na vida? Quer saber quanto ganho, quanto gasto, onde trabalho, o que tenho, adquiri ou comprei...
Poderia perguntar-me se sou feliz, se estou satisfeito, se estou motivado, se faço o que gosto, se vivo com gosto, se amo e se sou amado, se rio, se me divirto, se aprendo. 

Porém, amigável senhora, prefere indagar sobre o dinheiro que ganho, a posição que ocupo, o statu que tenho. Presumo que se não responder irá insistir com um eventual «quem é você, afinal?», como se eu fosse aquilo que não sinto, sendo apenas o dinheiro que ganho, as coisas que tenho e o lugar que ocupo. Olhe, sou feliz, aprendo, amo e sou amado.

«Sim, correcto, porém o dinheiro é importante, sem dinheiro nada faz», insistiu mesmo assim a mulher.

E o caminhante, sempre sorrindo, respondeu: «O rendimento está implícito, sempre, sempre. Será preciso mencioná-lo? Que espécie de tolo acha que pode viver negando o dinheiro, algo que lhe dá acesso ao que gosta e ao que precisa e que é, por si só, uma energia poderosa?»

E a mulher ficou pasmada perante o caminhante, que decidiu partir calmamente olhando a mulher e dizendo:

«Enfim, sou feliz»

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como está o seu Círculo de Intimidade?

O exemplo de um círculo de intimidade 
Cláudia apresentou-se na sessão muito preocupada com a sua vida. «Há alguma coisa que... não sei, não me deixa seguir, me bloqueia. Tenho projectos, tenho habilitações, começo a planear, mas logo depois... Nada. É estranho porque tenho muitos amigos, tenho família, tenho muitas pessoas conhecidas, dou-me bem com os meus colegas de trabalho. Não há razão para me sentir assim...»

Há uma razão subtil, quase que invisível. É que no círculo de intimidade de Cláudia estavam presentes pessoas que simplesmente deveriam estar fora dele. A presença dessas pessoas bloqueavam todos os processos de Cláudia. Auto-estima, comunicação, projectos, bem-estar, capacidade de decisão... 

Abra os seus braços e imagine uma circunferência à sua volta. 
Esse é o seu Círculo de Intimidade

Assim que reorganizou o seu círculo, Cláudia passou a sentir mais independência e os assuntos começaram a fluir mais rapidamente. Estabelecer a que distância deve estar cada pessoa é um trabalho que começa na mente. 

Estranho? Pense um pouco. A importância ou valor que atribui a cada pessoa começa na sua mente e assim que decidir a que distância, na sua mente, essa pessoa deve estar de si, a relação que tem com ela altera-se sem que a pessoa note conscientemente. 

Experimente: Feche os olhos e chame 4 pessoas da sua vivência. Anote de onde elas surgem mentalmente e a que distância se encontram. Estão dentro ou fora do seu círculo de intimidade? Sente-se confortável com a posição ocupada por essas pessoas?

Duas dicas
- Se surgiram em posição frontal podem ser obstáculo e assumem grande importância. 
- Se surgiram atrás de si podem ser ameaça ou apoio? Como sente?
- Se estão junto a si, provavelmente são muito importantes, como pais, filhos, esposos ou esposas. Mas se não forem pessoas com esse grau de parentesco, então algo pode estar a influenciar a sua vida. 

Em todo o caso, é na sua mente que tudo se passa. E depois esse tudo manifesta-se em termos físicos e factuais. Ao alterar a posição, altera também a sua comunicação relação interpessoal.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Viagem ao Interior do Tudo...


Depois de um dia mundano e agitado, todo o sistema se move para a experiência extraordinária prestes a iniciar-se. Os órgãos preparam-se, predispondo-se para o que se segue.
O corpo ajeita-se, toma o seu lugar, acomoda-se, enquanto se traz à consciência os pormenores subtis das articulações arrumando-se. A luz apaga-se, uma sonoridade tranquila, levemente soprada, revela o início.

Uma voz grave indica pausadamente a sequência de passos. Mentalmente, a viagem começa, mas o destino é desconhecido. Ou, por outra, o destino é a viagem sem ponto de chegada. É esse o propósito. Mente e corpo embalam numa sequência de sensações, contracções e movimentos alternados e a paisagem dos sentidos alarga-se. Cada viajante entrega-se à sua própria maneira e dá-se conta do que se passa no seu mundo interior, alheando-se da envolvente.

A cadência respiratória abranda, o som interno silencioso facilita o mergulho, os movimentos unem-se com a neurologia. Os corpos movimentam-se num mesmo espaço, mas a viagem de cada um deles é diferente, mesmo sabendo que a geografia humana é comum.

Apura-se o foco e dá-se conta da presença dos dedos, das mãos, dos braços. Num momento seguinte nota-se a presença das pernas e dos pés. Num outro verificam-se ombros, pescoço e cabeça. Logo de seguida o peito subindo e descendo, tal como o abdómen, ao ritmo da respiração. Anota-se a vida pulsando. Pouco a pouco, a viagem desafia o equilíbrio, a concentração e a determinação. A ligação entre inconsciente e consciente cria como que um campo uniforme e comum dos indivíduos presentes.

A viagem está a meio quando mente e corpo se ligam num só, conscientes da sua unidade. Preparam-se para o ponto de viragem em direcção ao Tudo. O corpo derrama-se no solo, o tráfego mental é sereno. O olhos fecham-se e cada indivíduo sente imergir o Tudo.
Cada viajante sente o profundo silêncio interior por detrás do novo som metálico contínuo. E fica consciente do movimento interno de realidades celestiais ao ritmo das rotações audíveis. É o ponto nuclear da viagem, o momento em que se passa pelo interior do tudo, permanecendo aí num longo e cândido momento. A sensação de que duas dimensões estão ligadas, uma material e sensitiva, outra espiritual e energética...

Momentos passam, momentos que representam lapsos temporais diferentes. O universo em toda a sua existência para o viajante. Voltemos. sim, regressemos ao «espaço ocupado pelo corpo» é a indicação que chega. Cumpre-se, o consciente activa-se, a mente vai despertando...

A pouco e pouco, mente e corpo ensaiam o regresso ao estado inicial, agora em slow motion. Os viajantes acordam, movem-se, espreguiçam-se, oxigenam e sussurram em coro: namaste

Sim, a sessão de ioga com relaxamento está concluída. Cada viajante, cada indivíduo, cada participante, despede-se dos seus semelhantes e retorna ao ritmo cultural e socialmente instalado. Voltará, por certo, para repetir a viagem ao interior do Tudo, com a pura certeza que será diferente...

Obrigado Inês Zorro